A textura, as linhas e a relação da música com o trabalho de Paulo Amaro

Por Raphael Ezonne

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Hoje, vou trazer mais uma daquelas histórias meio malucas de começo de carreira de artista. Quando o Paulo Amaro me contou como que descobriu que gostava de desenhar, achei um tanto bizarro a ideia que ele tinha a respeito de algo tão simples como a Independência do Brasil, mas vamos contar como tudo isso aconteceu.

Paulo é ilustrador, tem 24 anos, e mora em Brasília. Por volta dos quatro, quando ainda estava no jardim de infância, foi orientado a desenhar algo que representasse o dia 7 de setembro. Não demorou muito, ele esboçou algumas coisas e entregou, deixando sua professora boquiaberta: para mostrar o que o Dia da Independência do Brasil lhe significava, ele desenhou um soldado urinando, uma polêmica muito grande para um menino de apenas quatro anos.

Em casa, ele tinha o seu irmão mais velho, que também desenhava e que lhe deu um pouco de inspiração também, mas você sabe como são irmãos né? O mais velho nunca o ensinou a desenhar, fazendo com que Paulo corresse atrás disso sozinho.

Hoje, Amaro dá aulas no Instituto de Artes, em Brasília e mostra aqui no Cherryouth um pouco do seu trabalho. Ele bateu um papo comigo e disse que a música é a principal fonte de inspiração: “A música é algo presente durante as minhas produções. Muitas vezes ela é apenas uma acompanhante/fonte de inspiração, outrora ela é parte crucial do trabalho que está nascendo”.

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Em um de seus projetos, ele diz que estava ouvindo o cd de Filipe Catto – cantor e músico gaúcho – e enquanto escutava a música “Gardênia Branca” de autoria do intérprete, o fez parar e pensar naquela situação de uma forma imagética: “A música fala sobre a relação de amor entre alguém (homem ou mulher) com uma mulher, uma “mulher da vida”, conta. “A relação de paixão e sexualidade de forma leve, livre de qualquer tipo de preconceito fez com que eu pensasse bastante sobre uma produção com essas características, que me levasse a esse universo como esse “alguém” envolvido de forma tão intensa. Logo, pensei na prostituta que se tornaria uma modelo vivo para os meus desenhos”.

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No projeto “Ensaio sobre Gardênias“, Paulo retrata mulheres gordinhas, e brinca com o contraste entre o peso das mulheres e a leveza de seus cabelos: “Apesar de acreditar que a ação na busca da modelo – entrando nessa realidade com uma outra proposta – seja a parte mais forte da produção, configurando um trabalho bem mais intenso, o resultado estético também deve ser coerente. Essa relação de leveza na música, deveria ser algo presente no resultado final dos meus desenhos. O corpo deveria ser respeitado por suas diferentes formas e projetado como símbolo de suavidade. Esteticamente, as linhas que preenchem e definem a forma dos cabelos, ajudam na construção de uma imagem mais delicada“, finaliza.

Em projetos paralelos, é interessante analisar a escolha de papeis específicos para esboçar os seus traços. Ele contou também que ele aproveita papeis de uso comum, como por exemplo panfletos da rua e até catálogos de lojas de roupas para poder desenhar. O uso das texturas pode ser visto nos trabalhos abaixo, onde além de nanquim e lápis de cor, ele também usa e abusa das colagens.

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4 comentários sobre “A textura, as linhas e a relação da música com o trabalho de Paulo Amaro

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