Rio e São Paulo terão exposição com clássicos de Alfred Hitchcock

Por Raphael Ezonne

Quando se fala em Alfred Hitchcock, logo vem à mente um punhado de filmes clássicos: “Um Corpo que Cai”, “Janela Indiscreta”, “Psicose”, “Intriga Internacional”.

E uma mostra como “Hitchcock” nos oferece a incrível – e infelizmente não tão comum – oportunidade de ver ou rever esses pontos altos do suspense na tela grande, em cópias restauradas, de 35 mm.

Mas a abrangente seleção também abre a oportunidade de conhecer momentos praticamente desconhecidos da obra de Hitchcock – desde seus primeiros curtas feitos na Inglaterra até seus programas feitos para a TV americana, passando por seu primeiro longa, seu primeiro filme sonoro, produções para Alemanha e a França.

Entre os 54 longas, três curtas e 120 episódios de TV da mostra (que vai de de 1º de junho a 14 de julho no CCBB Rio, de 15 de junho a 24 de julho no CCBB São Paulo, e de 8 a 17 de julho no Cinesesc), segue abaixo uma pequena seleção de 10 programas tão raros quanto imperdíveis.

Clássicos como “Sempre Conte à Sua Esposa” (1923) que é o primeiro filme de Hitchcock que sobreviveu ao tempo. Originalmente, ele havia sido contratado como assistente de direção, mas o produtor brigou com o diretor Hugh Laurie, e Hitchcock foi promovido de função. Remake de um filme de mesmo nome de 1914, o curta é apenas uma curiosidade histórica e, ao mesmo tempo, fundamental para a história do cinema. Já em “Assassinato” (1930), possui duas versões, uma americana e outra alemã. A última é raríssima, tendo apenas uma cópia disponível em todo o mundo. A mostra no CCBB traz as duas. Hitchcock filmou as duas quase simultaneamente, no mesmo set. Rodava uma sequência com atores ingleses, parava, entravam em cena os atores alemães. Em ambos, a trama é sobre uma atriz encontrada junto ao corpo de uma amiga que foi assassinada e que corre o risco de ser condenada por não se lembrar das circunstâncias do crime. Ou seja, a história do um inocente acusado de um crime – mote clássico dos suspenses de Hitchcock.

Sem dúvida nenhuma, uma das grandes atrações desta mostra é o panorama da produção do cineasta para a televisão. O grosso vem da série “Hitchcock Apresenta”, no qual ele servia como um impagável mestre de cerimônias para pequenas histórias de suspense. A preferência, claro, deve ser dada aos episódios dirigidos pelo próprio Hitchcock; a mostra traz 17 deles. Há ainda três episódios que ele dirigiu para outras séries: “The Hitchcock Hour”, “Startime” e “Suspicion”. Todos servem para mostrar que um mestre é um mestre em qualquer meio.

O último filme dirigido por Hitchcock não costuma figurar entre seus melhores trabalhos. Na verdade, ele foi prejudicado por uma série de fatores, como o fato de não haver muito dinheiro para contratar grandes atores. Hitchcock queria Al Pacino para o papel principal em “Trama Macabra” (1976), mas seu salário estava inflacionado por causa de “O Poderoso Chefão”. A moda dos anos 70 também não ajudava muito, e o resultado visual ficou muito aquém da elegância dos filmes de Hitchcock dos anos 50. Ainda assim, o filme tem ótimos momentos de suspense e até de humor. Não está entre os melhores do cineasta, mas é uma despedida bastante digna.

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  • Mostra Hitchcock no CCBB do Rio de Janeiro
    De 01 de junho a 14 de julho
    Rua Primeiro de Março, 1, Centro

  • Mostra Hitchcock no Cinesesc (São Paulo)
    De 08 a 17 de junho
    Rua Augusta, 2075, Jardins

  • Mostra Hitchcock no CCBB de São Paulo
    De 15 de junho a 24 de julho
    Rua Álvares Penteado, 112, Centro
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