Com quase seis temporadas, por que “Ídolos” ainda não consagrou nenhum artista?

Por Kabe Rodríguez, do Filmes e Pizza
   

Quem acompanha o American Idol sabe que o programa está perto de anunciar o seu grande vencedor, atualmente no Top 6, o programa segue com uma ótima audiência. Ou quem gosta de qualquer reality show musical como o X-Factor UK, Idols, American Idol ou a próxima grande estreia do gênero The Voice, gosta de assistir cada episódio para ver seu candidato favorito em processo de evolução, e sofre para que ele não seja eliminado. Quase todo cantinho do globo tem seu reality show que revela um grande talento musical, porém, nós podemos riscar o Brasil dessa lista. Infelizmente.

Logo do Ídolos em suas versões desde a primeira temporada no SBT até a atual, na Record.

Com 6 temporadas nas costas, Ídolos, ainda não encontrou sua fórmula certa. Iniciado em 2006, no canal SBT, o programa surgiu com a promessa de revelar o novo ídolo do Brasil que ganharia seu lugar ao céu na música brasileira e ficaria lá… para sempre (?). Algo bem difícil de acontecer em nosso país, já que o cenário musical do país mantem os mesmo gêneros e cantores nas posições mais altas das listas de mais vendidos. Isso tudo de uma péssima maneira.

Logo após duas temporadas e dois vencedores que não alcançaram o objetivo do reality, o SBT perdeu o direito da série para a Record o que até causou um processo judicial. Migrando em 2008 para a Record, o programa sofreu pequenas mudanças e uma grande: o cenário. Agora utilizando um teatro e um palco para finais muito maior que os cubículos onde eram feitas as apresentações no SBT.

Três temporadas depois, o programa ainda não alcançou o seu objetivo principal e em sua temporada exibida atualmente parece caminhar para o mesmo resultado: muita vergonha alheia para quem assiste e para quem vencer, uma fama com duração menor que a de um ex-BBB.

Coletânea com as capas dos cds de todos os vencedores do Ídolos desde 2007.

E a pergunta que Simon Fuller (Criador do Idols/American Idol) e Simon Cowell (Criador do X-Factor) se perguntariam se assistissem todas as temporadas de Ídolo: Porque tudo dá errado no final?

Eu também me pergunto isso toda vez que me aventuro nessa versão tupiniquim do reality. Então resolvi fazer uma listagem pequena com tópicos de possíveis motivos para que isso ocorra.

Hosts: Encontrar o apresentador perfeito é difícil, principalmente no Brasil. No SBT, os apresentadores eram a dupla Beto Marden e Lígia Mendes, ambos se saiam bem carregando aquele roteiro chato e a mesmice do programa a cada episódio até o fim. Já na Record, o pior aconteceu, Ídolos ganhou mais açúcar e investiu no entretenimento circense com Rodrigo faro. O programa agora seguia o roteiro de explorar piadinhas prontas e candidatos que, com certeza, seriam reprovados por não saberem cantar ou simplesmente queriam aparecer na tv.

Entre os quadros das audições, fantasias, piadas, e muito deboche. Resultado, você pode perguntar para qualquer pessoa na rua sobre o programa e ela vai responder “Ah, aquele programa engraçado com gente passando vergonha na tv? Sim, já vi”.

Jurados: No quesito talento e sucesso profissional, nenhuma bancada de jurados pode ser julgada como ‘fraca’. Seja do SBT ou da Record, todos os jurados carregavam um currículo exemplar de sucesso na indústria da música no Brasil. Infelizmente, isso não ajudou em nada qualquer uma das temporadas exibidas. Aparentemente, os jurados procuravam algo que o mercado fosse engolir sem precisar beber água. Algo que caísse goela à baixo com facilidade. O que acaba eliminando vários participantes por conta do “repertório exótico” ou vozes incomuns.

Esse olhar minimizado no talento brasileiro em criar nova música, proporcionou finalistas com as mesmas características de outros cantores com carreira já formada no Brasil. E como quem convive com músicos, conhece ou apenas aprecia, sabe que não se põe um cordeiro jovem para lutar com um Leão adulto. No mercado musical não é conquistado com pequenas armas, a inovação do olhar de quem compra o produto seria a solução, mas isso não acontece quando se vai para a batalha com as mesmas armas de um general experiente. É batalha perdida.

E por último, mas não menos importante;

Mercado Musical: O Brasil tem a peculiaridade de deixar seus músicos consagrados escaparem para o exterior ou viverem por anos no cenário alternativo. Talentosos, ganham o Mundo exceto o Brasil. Mas todo esse mercado vem mudando graças ao olhar mais claro da diversidade musical do exterior. E como se, atualmente, o Brasil esperasse sua Madonna chegar atrasada para a festa ou sua Florence Welch gritasse para todo mundo “Oi, tô aqui!”.
Os resultados nas temporadas dos Ídolos causavam comoção pessoal e não artísticas, chegando até eleger um candidato à outro por causa de sua história de vida e não talento. O que até causou ‘mal estar’ na emissora Record.

Sem o incentivo dos jurados brasileiros, em mudar a visão de talentoso, ou até mesmo o discurso pronto, “você não está preparado para ser um Ídolo”, que usam para eliminar candidatos estranhos ao olho do público; o programa vai continuar na promessa de revelar um novo ídolo temporada por temporada, sem cumprir o que diz.
E eu me pergunto: como querem mostrar ao Brasil um novo Ídolo dono de um grande talento se não querem suar e trabalhar para montar um Ídolo de peso como os grandes vencedores de singles e cds? Ainda estou esperando nossa versão tupiniquim de grandes artistas como Michael Bublé, Florence Welch, Lady Gaga, Rihanna e outros…

É impossível comprar o resultado dos vencedores do Ídolos com os vencedores do American Idol, até mesmo os que não emplacam por muito tempo alcançam um sucesso maior. Queremos ver vencedores que perdurem como Kelly Clarkson, Carrie Underwood, Jordin Sparks, David Cook ou até mesmo um segundo lugar de sucesso como Katharine McPhee e Adam Lambert.

Mesmo com as piadinhas chatas que não deixam a gente levar a sério o programa, as ironias clichês e o desenvolvimento fraco nas fases do reality, pretendo continuar acompanhando porque… nunca se sabe, não é?

Ídolos vai ao ar toda terça e quinta-feira, às 23h15, na Record.

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3 comentários sobre “Com quase seis temporadas, por que “Ídolos” ainda não consagrou nenhum artista?

  1. A Thaeme está fazendo um pouco de sucesso agora que se juntou ao Thiago, acho que o que falta mesmo não são bons cantores, cantor não precisa ser excepcional, qualquer cantorzinho que tenha um mínimo de afinação pode ter um grande sucesso, o problema são os produtores e compositores, eles não tem uma composição que preste pra oferecer, nem um formato pro grande artista que está ali. Colocar artistas muito “bonitinhos com cara de nada” cantando pop não cola, por exemplo, tá muito batido e, como o pop uma coisa “bonitinha” sem uma cara própria, cantores “bonitinhos com cara de nada” não acrescentam nada. Pra ver como a música tem que ter uma “cara” diferente eu cito o exemplo do Black Eyer Peas, eram um grupo de negros como qualquer outro grupo de negros, a Fergie era uma loirinha cantora como qualquer outra loirinha cantora, eles não faziam tanto sucesso, mas quando se juntaram fizeram. Também tem a música…os produtores não dão uma composição que preste pros ídolos brasileiros, lançam os cantores como se só o cantor fosse o bastante pra fazer sucesso. O Sucesso não vem de um só aspecto, vem de vários, tem a voz afinada do cantor, a música, a aparência do cantor, a inteligência do produtor/empresário e a integração de todos esses elementos, se fosse só rostinho bonito, voz afinada ou musica legal, sozinhos, não haveria tão pouca gente fazendo sucessos. Também tem o programa que no Brasil tem um formato ruim que vc mostrou. Também fico pensando…nos outros países houve tantos cantores que surpreenderam, com aparências que não demonstravam o tamanho do talento, aqui no Brasil não…tenho a impressão de que é tudo manipulado, tem os artistas bonitinhos que eles mostram e colocam como preferidinhos do programa e os “sem noção” que eles colocam pra ter humor no programa, todo programa brasileiro tem humor, é uma receita que dá certo…às vezes penso que aqueles caras “sem noção” que aparecem lá são atores ou comediantes que eles contratam pra fazer papel de bobo.

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  2. Pingback: Anônimo
  3. Acho que outro ingrediente importante para o Ídolos não dar certo no Brasil é a burra postura das emissoras brasileiras abominarem quase tudo o que saia da concorrência.

    O fato de a pessoa ser revelada no Ídolos da Record a impede automaticamente de passear pelos programas da Globo e, talvez, até mesmo do SBT.

    Ídolo que não consegue se expor na mídia não é ídolo.

    Além disso, quando o programa acaba, não vejo um pingo de esforço por parte da Record em realmente produzir um CD bacana, organizar um super show com turnê nacional e uma puuuta divulgação de todo o resultado. Se a própria emissora que revela o Ídolo o esquece depois de 15 dias, por que o público teria a obrigação de se lembrar dele?

    Ainda assim, também continuo assistindo…

    Só pra constar: gosto muito do Rodrigo Faro apresentando.

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