Produtos tradicionais ainda estão na lista de compras dos brasileiros

Com tantos anos no mercado, marcas ainda apostam na venda de produtos criados há várias décadas

Você que está lendo este post pode até achar natural o ato de pegar algum produto em sua dispensa ou mesmo na geladeira para se alimentar. Vários produtos, os perecíveis principalmente, passaram por uma grande seleção de qualidade, onde qualquer tipo de componente que afetasse à saúde humana pudessem ser vetados para a comercialização ao seu público.

Isso é algo que é feito com extrema minuciosidade, e também que existe há um bom tempo. Talvez, a diferenciação desses produtos semelhantes de marcas diferentes possam ter dado originalidade à eles, através de sua qualidade até a forma que ele é promovido, nos comerciais principalmente.

Muitas das pessoas não conhecem meros produtos como “leite condensado” ou então “achocolatado” desta  forma, optando por chamá-los através das marcas que lhe foram atribuídas, o que mostra como o consumidor brasileiro está acostumado com eles, depositando confiança após tantos anos de mercado.

Essa relação do consumidor com as marcas propriamente ditas vem da tradicionalização destes produtos e o quanto estes ficaram acessíveis ao consumidor terciário, que costuma fazer suas compras, associando seu poder de compra ao custo real destes produtos. A estabilidade dos preços não se torna tão clara, pois muitos não são nacionais, ou então possuem sua matriz fora do país, elevando relativamente seu preço. Porém, outros que são fabricados em território nacional têm um preço mais baixo, o que garante a compra e até talvez, o monopólio de mercado no setor deste produto.

As embalagens de Toddy sempre seguiram o mesmo padrão, porém a primeira que existiu era feita de vidro e contava com brinquedos em seu interior. Hoje, as embalagens são plásticas.

Ainda com o exemplo citado acima sobre o achocolatado, podemos lembrar de dois produtos usados normalmente pelo público jovem. O Toddy, uma linha de achocolatados fabricada pela PepsiCo., mesma fabricante da marca de refrigerantes que também leva este nome, foi fundada em 1930 pelo porto-riquenho Pedro Santiago combinando as características de duas bebidas: da escocesa Toddy, à base de gema de ovo, mel, creme de leite e uísque, e da caribenha Rum Toddy, à base de cacau, melaço de cana e rum. Em 1933, Pedro Santiago obteve licença do governo provisório de Getúlio Vargas,  então quem governava o país,  para comercializar o produto no Brasil. Santiago inovou em campanhas publicitárias contratando até mesmo aviões para escrever o nome do produto com fumaça nos céus do Rio de Janeiro. Em 1981, a Toddy foi vendida para a Quaker Oats, que introduziu no ano seguinte o Toddynho, leite achocolatado pronto para o consumo que tem público-alvo as crianças. Nos últimos anos, a marca vem se modernizando, principalmente após a compra da Quaker Oats pela PepsiCo, em 2001. Atualmente as campanhas publicitárias são estreladas por vacas com espírito jovem, doidas por música e claro, também pelo achocolatado. A música aliás tem sido um ponto forte nos projetos de Toddy.


No caso de Nescau, grande concorrente da marca, pertencente a marca suíça Nestlé, possui uma das maiores linhas de produtos perecíveis do planeta, que fora fundada em 1866, tendo noventa anos de Brasil. No caso do Nescau, foi iniciamente criada para um leite achocolatado desenvolvido e lançado para o mercado brasileiro em 1932 com o nome “Nescáo”. Seu nome é resultado da fusão entre as palavras NestléCacáo, como era escrito a palavra cacau na época. Em 1954, aproveitando as alterações ortográficas vigentes no Brasil, o nome foi mudado para Nescau para evitar equívocos, pois as pessoas liam equivocadamente o acento agudo de Nescáo, como Nescão. Em 1961, a marca começou a se firmar no mercado brasileiro, com a mudança da fórmula que transformou o produto em instantâneo e enriquecido com vitaminas. Em 1972, o produto ganhou ainda uma melhor solubilidade e um composto vitamínico. Nesse ano, foi desenvolvida uma forte campanha publicitária de relançamento sob um novo slogan: “Super Nescau, energia que dá gosto“, e ainda criada versões que prometiam um doce mais evidente, principal reclamação de muitas pessoas que tentaram abandonar o Toddy para viver uma experiência na marca concorrente.

O velho conhecido Nescau existe há um bom tempo e vivenciou transformações tanto na sua composição como em sua escrita. Obedeceu as normas orotgráficas da época, mas antes fora escrito “Nescao”, palavra originada da junção de Nestlé e Cacao, como cacau era escrito.

Lado a lado da propaganda mais uma vez, podemos lembrar de um produto, desta vez não-perecível, que está presente em muitos lares brasileiros. Os palitos de dente Gina, onde conta com o rosto da mulher loira e vestida adequadamente para a época, é vendido há muitos anos no Brasil. Programas de comédia já tentaram encontrá-la nos dias de hoje para suprir de uma curiosidade antiga que todos tinham, em relação a sua atual aparência, porém Zofia Burk, nome da garota-propaganda dos palitinhos, não gostasse de aparecer para a mídia a fim de mostrar seu rosto aos fotógrafos.

Os palitos Gina apareceram pela primeira vez no mercado em 1975, onde Zofia, agora ex-publicitária e modelo, era uma das mais requisitadas profissionais da área, fazendo até comercial de sabonetes, maquiagem, shampoo e até de sabão em pó. Atualmente com 66 anos de idade, ela nunca manteve vínculo com a empresa, ganhando um mero cachê para que seu rosto fosse retratado até hoje nas caixinhas que conservam o produto, entrando com um processo judicial para que pudesse ganhar parte dos lucros comerciais, porém abandonando o caso por falta de motivação.

O rosto da ex-modelo e publicitária Zofia Burk ainda é estampado nas caixinhas de papelão de um dos produtos mais famosos do Brasil. Os palitos Gina nunca mudaram o design ou então as cores da embalagem que a deixou tão tradicional no mercado.

E é com o slogan “Mil e uma utilidades”, que Bombril está no mercado. Há exatos 63 anos, no bairro do Brooklin, em São Paulo, que seu fundador  Roberto Sampaio Ferreira, sob o nome de Abrasivos Bombril Ltda, cravou seu nome no mercado, que está presente até hoje no mercado no setor de higiene e limpeza doméstica.

A sua lã de aço, carro-forte da empresa é usado por milhões de brasileiros e brasileiras em seus lares, e que fora usada com extremo preconceito por muitos ao associarem sua textura ao tipo de cabelo crespo que é bastante comum em nosso país. Isso é resultado da forte influência que a marca tem com seus consumidores, uma reláção muito próxima, sendo que os clientes das classes menos favorecidas são os principais usuários de seus produtos, e os principais responsáveis por expandir e popularizar seu uso.

O produto mais conhecido da linha Bombril é a lã de aço. Tanto usada para dar brilho em panelas ou então no improviso de antenas UHF, o produto também sofreu modificações em tanto tempo de existência, a começar pela sua embalagem.

Segundo a revista Exame, a Bombril prepara uma investida no mercado de sabões em pó, no qual vai concorrer com as gigantes Unilever, responsáveis pelas marcas Omo e Hellmann`s; e Procter & Gamble que gerencia a Oral B, Gillette e Duracell.

Com o aquecimento do mercado brasileiro e com esse poder de compra que cresce assustadoramente, a tradicionalização destes produtos não perderá força tão cedo, se é que isso acontecerá algum dia. O monopólio que algumas empresas detém de alguma forma só poderá ser afetado algum dia quando algum produto que mostre um potencial ainda maior se torne original à sua marca, o que levará alguns anos para que o consumidor habituado a sua concorrência se acostume a fazer uso desta. Por isso a publicidade é tão importante nos dias de hoje, o poder da propaganda.

Por: Raphael Ezonne

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