O desafio de ser criança no Brasil

Crianças também sofrem preconceito por sua condição socioeconômica; entenda a situação destas nas cidades grandes

Estava eu no horário de pico, indo para o trabalho. A linha Vermelha do Metrô de São Paulo a essa hora do dia não é uma das coisas mais tranquilas, como muitos devem saber por meio da mídia, que sempre divulga informações, que, na maioria das vezes, se torna sensacionalista, mas evidenciando um grande problema, ou a causa de um deles: muita gente.

Mas o assunto não tem ligação com o objetivo do post, que é compartilhar com vocês como funciona a mente humana, ou então, achar uma justificativa para a razão dela em agir de forma tão injusta, em relação às pessoas que estão no nosso meio.

Sempre estamos acostumados, principalmente os paulistanos e as demais populações que habitam nas grandes metrópoles, em dividir um ambiente com pessoas de diferentes etnias e classes sociais. O costume não pode ser considerado uma forma normal de conviver, mas a única solução encontrada pelas pessoas em vivenciar um ambiente coletivo.

A maioria dos vagões do Metrô de São Paulo conta com televisores, trazendo programação independente e com informações culturais da própria cidade.

Retornando ao metrô, obviamente cheio de pessoas diferentes mas com um propósito semelhante, que é de ir ao trabalho, que eu me peguei distraído assistindo à programação independente da televisão que tem nos vagões. A TV Minuto, nome do canal que transmite as informações sobre a cidade e o próprio metrô, veicula dicas de grande valia para a sociedade, tais como vagas para emprego no município, exposições e atividades culturais que nela se podem praticar, além de comerciais informativos, em específico um, que me chamou a atenção.

Um garoto de nome Matheus Braga, de apenas cinco anos de idade, é colocado em um quadro comparativo, em que é caracterizado de menino de rua, e em outra situação em um garoto de classe social superior (assista o vídeo acima). Confesso que apenas na segunda vez que assisti ao comercial pude reparar que se tratava do mesmo garoto, pois a caracterização fora feita nos mínimos detalhes. O curta chamado de “Teste”,  criado pela Almap para a Casa do Zezinho, que é uma organização de utilidade pública sem fins lucrativos, que atende crianças e adolescentes de baixa renda. O filme foi veiculado na TV e circulou pela Internet. Conquistou Leão de Prata no Festival de Cannes de 2008, Ouro no festival El Ojo de Iberoamerica e Prata no Festival de Londres, entre outros prêmios. Foi criado por Romero Cavalcanti, com direção de criação de Dulcidio Caldeira, Luiz Sanches. Produção da Cinema Centro, com direção de Paulo Gandra.

O número de crianças abandonadas ou moradoras de rua cresce, principalmente nas grandes cidades. A falta de estrutura familiar e também a ausência de pai e mãe em seus domicílios, faz com que muitas delas prefiram as ruas, estando sujeitas à drogas e outros tipos de substâncias.

Instantaneamente, no caso do garoto “riquinho” e sentado, sozinho, em uma das vias do centro de São Paulo, vieram pessoas ao seu redor para perguntar o motivo de ele estar ali, sem nenhum responsável ao seu lado, o que não acontece com ele mesmo, quando está interpretando um garoto pobre, nas mesmas condições.

O fato é que uma criança filha de pais ricos não tem motivos aparentes de ficar sentado na rua, diferente de um filho de mendigo que vaga pelas ruas, faça sol ou faça chuva. Mas a questão principal e que me fez ter um maior interesse na situação, seja de modo fictício, como aconteceu neste exemplo, ou seja na vida real, como podemos encontrar nas ruas de todo o Brasil, é que se trata de uma criança  o tratamento humano em relação à pessoas de uma classe social semelhante ou superior sempre é levado em consideração, enquanto com pessoas com poder aquisitivo aparentemente inferior não é posto em primeiro plano.

Há tempos que esse tipo de relacionamento é usado pelas pessoas. A principal justificativa usada pela população é de que seria uma forma de se prevenir de assaltantes ou então de pessoas que, por ventura, podem dar um golpe na rua, o que também a mídia exibe em seus noticiários. Não culpo a mídia, generalizando de fato, como responsável dessa forma preconceituosa de se pensar, pois ela também alerta as pessoas de como lidar nas ruas e o que devemos e o que não fazer em ambientes de grande circulação, mas se tratando de uma criança, os olhos humanos deveriam repensar e relevar de certa forma  certas atitudes são cabíveis a quem pode ameaçar nossa conduta, mas não a quem pode trazer felicidade a um adulto.

Por: Raphael Ezonne

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