O desafio da presidente que disse que tiraria pessoas da miséria

Salário mínimo de R$545 é aprovado; Henrique Meirelles da Autoridade Olímpica ganhará 21 mil

Agora com a nova logomarca do Governo Federal e ainda, com o slogan “País rico é país sem pobreza” que Dilma e seus aliados tiveram alguns dias, em meio a manifestações, para decidir o valor do novo salário mínimo. As metas de Dilma durante todo o seu mandato e que fora prometido durante a sua candidatura à este cargo levaram o povo, com toda certeza, a votar nela, sendo que a maior ênfase era a erradicação da miséria e conduzir todos os brasileiros ao padrão da “classe média”, melhorando a vida de 21,5 milhões de pessoas que ainda vivem na pobreza absoluta, continuando a reduzir as desigualdades e outros fatores combinatórios que influenciariam na resolução de diversos outros.

O reajuste do salário mínimo que foi proposto nos últimos meses do governo Lula e que foi deixado para a atual presidente definir os valores e as condições necessárias, gerou grande confusão por parte da classe trabalhadora.  As emendas enviadas pelo DEM, que queria reajuste de R$560, e do PSDB com R$600, assim como prometera o ex-candidato à presidência José Serra, foram rejeitados, onde a Câmara dos Deputados aprovou integralmente, o projeto de valorização do mínimo apresentado pelo governo, de R$545.

A votação do salário mínimo foi o primeiro grande teste do governo da presidente Dilma Rousseff na Câmara. O governo enviou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para defender a proposta do governo na sessão especial que a Câmara realizou para debater o tema com centrais sindicais, empresários e parlamentares.

A evolução do valor do salário mínimo nos últimos 10 anos é evidente: o governo Lula deu uma valorização maior do que se dava no governo retrasado, porém com fatores atuais que implicaram o tal benefício, onde ainda é insatisfatório mediante alto índice de impostos que a população ainda paga. Veja como o salário mínimo passou por diversas modificações em seu valor, levando em consideração que nos anos de 2003, 2005, 2007 e 2009, que não estão presentes no esquema abaixo, mas que também houveram pequenos reajustes.

Mas o que o povo brasileiro ainda não entende, por mais que tenha havido essa transição de governo e que muitas das coisas que eram adotadas pelo antigo presidente, não sejam tão bem vistas na gestão atual, é o salário exorbitante das pessoas que compõe o governo de Dilma.

Um exemplo que justifica essa falta de coerência entre o valor do salário pago para os trabalhadores e para as pessoas com grandes cargos em Brasília, é devido ao valor que o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles receberá a partir deste mês: vinte e um mil reais. Em audiência no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff apresentou ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e ao prefeito da capital, Eduardo Paes, uma proposta de nova medida provisória que criará a Autoridade Pública Olímpica, órgão que gerenciará as obras da Olimpíada de 2016. O texto, preparado pelo vice-presidente, Michel Temer, e pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afasta qualquer possibilidade da prefeitura e do governo do Estado terem interlocução direta com o Comitê Olímpico Internacional. Cabral e Paes, que resistiam à ideia de um executivo com respaldo internacional no posto, ouviram ainda de Dilma que Meirelles será mesmo o chefe da APO. Passarão por ele projetos de obras tocadas pelo governo estadual e pelo município. Foi descartada a criação de uma estatal, a Brasil 2016, para realizar as obras e operar como um braço executor da APO. A estatal era pleiteada pelo PCdoB, do ministro dos Esportes, Orlando Silva. Cabral e Paes deixaram o Planalto sem esconder o desapontamento. Meirelles, além desse salário já citado, poderá preencher cerca de 500 cargos comissionados.

Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central no Governo Lula. Nesta gestão, fará parte da Autoridade Pública Olímpica, que será responsável pela organização das Olimpíadas de 2016.

E ainda, de acordo com outros dados que foram atualizados no ano passado, a maior remuneração bruta do Governo Federal é paga na Universidade Federal do Ceará (UFC): R$ 37.136,10. Ela ultrapassa o teto constitucional pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), de R$ 25 mil. Há outros casos de universidades e centros de ensino com servidores que recebem acima do teto. Eles conquistaram as incorporações na Justiça.

No Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba há caso de quem somente deveria receber um bruto de R$ 6.090,39. Mas uma sentença judicial acrescenta nada mais, nada menos do que R$ 27.142,00. A remuneração pula para R$ 33.232,39. Na Universidade Federal do Acre (UFAC), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro também há casos de servidores com salários rechonchudos, todos em decorrência de sentenças judiciais. No Acre, há quem ganhe R$ 32.202,63. Em Minas Gerais e no Rio, R$ 28 mil.

Os parlamentares brasileiros são os “mais caros do mundo”, segundo uma pesquisa feita pela Organização Transparência Brasil. O minuto trabalhado por esses políticos, custa ao contribuinte cerca de R$ 11.545,00, o que por ano, os parlamentares não saem por menos de trinta milhões de reais.

Se comparados em outras nações mais ricas, segundo a mesma pesquisa feita em 2007, por exemplo, o Brasil tem o maior gasto no seu congresso, do que as outras potências.

A farra com o dinheiro público não é algo novo aos olhos dos trabalhadores. Pelo Brasil e por motivos semelhantes, a população se revolta, com as famosas manifestações, mas não têm retorno algum através dessa expressão popular, que por muitas vezes se torna mal sucedida. O voto é importante, porém difícil de ser voltado atrás. É necessário que todos fiquem atentos com esses salários exorbitantes e fora do real.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (à esquerda), do PSDB, acompanhou a lógica de seu partido que enviou uma emenda a favor do salário mínimo de R$ 600. O piso salarial regional de São Paulo foi criado em 2007, e de acordo com o governo, contribui para que os trabalhadores paulistas recebam remunerações superiores ao salário mínimo nacional, já que as condições da demanda de mão de obra e de custo de vida no estado levam, de um modo geral, a salários superiores à média nacional, portanto foram criadas as faixas de salário, que variam entre R$ 600 e R$ 620, quase oitenta reais a mais que o salário mínimo de Dilma. Desafios como esses, enfrentados pela presidente apenas serão os primeiros ao longo de quatro anos cheios de conflitos diretos com a população, ou vice-versa.  Em novembro de 2010, Dilma afirmou que ao final de 2011, o salário mínimo superará R$ 600. É esperar para ver.

 

Por: Raphael Ezonne

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