A Fórmula que não está mais dando certo

Audiência de ‘Big Brother Brasil 11’ se torna a pior de todas as edições

Não é de se ficar surpreso que a reação do público com este reality show tenha obtido esses resultados. Feito pela produtora de televisão Endemol e apresentado no Brasil pela Rede Globo, o programa teve a sua primeira temporada realizada em 2002, diferente da versão holandesa que, chamada apenas de Big Brother, teve a primeira temporada mundial realizada em 1999.

Ao longo desses quase dez anos de exibição no Brasil, o programa sofreu diversas modificações, mas sempre evidenciando o instinto humano quando fica enclausurado com pessoas que ele jamais tenha visto na vida. O relacionamento entre estes, os conflitos que podem existir nestes grupos e o alto teor de sexo e cenas provocantes têm aparecido com grande frequência, o que por muitas vezes não está sendo aceito pelo público que assiste.

O nome do programa deve-se a um livro publicado em 1984, escrito originalmente em 1948 por George Orwell, no qual o Big Brother, ou Grande Irmão, como foi traduzido nas versões em português, é um ditador que tudo vê da distópica Oceania, líder este que governa o mundo ocidental em um futuro fictício. Representado pela figura de um homem que provavelmente na trama não exista, vigia toda a população através das chamadas teletelas, governando de forma manipuladora a forma de pensar dos habitantes.

A ideia foi tomando proporções interessantes no Brasil. Em versões estrangeiras, por exemplo, pessoas transitavam pela casa totalmente nus, mesmo sabendo que tudo era vigiado por câmeras. Até sexo era permitido. A versão brasileira mudava seu estilo ao colocar participantes assumidamente homossexuais, em forma de protesto e de identificação com o mesmo tipo de público, como o baiano Jean Wyllys, que venceu a quinta edição do reality.

O ganhador da quinta versão do programa, Jean Wyllys, era homossexual assumido, mas este fato não foi levado como preconceito por parte dos telespectadores para que não ganhasse o prêmio. Hoje, conseguiu se eleger deputado federal no estado da Bahia.

Mas o destino conspirou contra a transsexual Ariadna, recentemente eliminada na décima primeira edição. O público a eliminou na primeira semana, mesmo tendo conhecimento de suas características naturais, mas que provavelmente podem ter influenciado de alguma forma em sua votação. Trazer pessoas “diferentes” tem sido uma das formas de atrair público, mas a fórmula pode não estar dando certo como nas outras versões, que eram mais simples e cativavam mais o público por motivos óbvios. Segundo o professor da PUC-MG, e também mestre em comunicação social, Roberto Edson de Almeida, os programas que tiveram sucesso eram calcados em situações antagônicas de conflito. Havia o bem contra o mal. O público gosta de participar da disputa, de tomar partido, de falar mal do vilão e fazer justiça. O fundamento de toda narrativa é o surgimento de uma tensão problemática, o que não está presente neste Big Brother. As pessoas estão convivendo em harmonia e parecem sem disposição para se “agarrar” lá dentro, tornando o programa desinteressante em alguns aspectos. Leia o que alguns participantes de versões anteriores disseram sobre o mau desempenho do programa.

Boninho, a pessoa citada por Max em uma de suas falas, é o diretor responsável pela atração. Como forma de divulgar a estreia do programa, divulgou no Twitter que esta versão seria a mais “liberal” de todas, permitindo a agressão física entre os participantes e uma dosagem de álcool maior do que antes havia nas bebidas. Mas isso não foi necessário para que o reality se mantivesse em um nível razoável de audiência. No começo da atração, Boninho apostou todas as fichas em Ariadna. Só que, para desgosto do diretor, a transexual que causou rebuliço na imprensa foi eliminada pelo público na primeira semana. O diretor, então, resolveu mudar as regras e colocá-la ao lado dos outros quatro eliminados na Casa de Vidro, com o objetivo de levar um deles de volta ao reality. Só que o público, mais uma vez, rejeitou Ariadna e colocou Maurício.

Neste ato, o público foi mais inteligente que o próprio diretor, pois com a entrada de Maurício na casa, os telespectadores viram uma possibilidade do triângulo amoroso entre Maria e Wesley, juntamente com o retorno de MauMau causarem um grande reboliço na atração, o que já esteve presente em outras versões do programa, e que também dera certo.

Na página de seu Twitter, Boninho deu a entender que a agressão física estaria liberada entre os participantes do Big Brother Brasil 11, com forma de divulgar as novidades do programa.

As estratégias do programa foram muitas em pouco tempo, o que significa que o público terá mais algumas semanas para saber se algo mais interessante ocorrerá na casa, consequência de mais algumas modificações que com toda certeza, Boninho fará para deixar o telespectador mais instigado. O que resta agora é acompanhar.

Por: Raphael Ezonne

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