O Brasil e as constantes falhas elétricas

Mais uma vez o país sofre um apagão, o terceiro em menos de dez anos

Em menos de uma década, o brasileiro já vivenciou por pelo menos três vezes, episódios onde a energia elétrica foi interrompida totalmente, sempre aviso prévio algum. Esses “apagões” como foram denominados na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso, na sua última gestão em 2002, foi uma medida tomada após declarar publicamente que um racionamento de energia deveria ser feito, após uma crise ocorrida no setor elétrico. A causa do déficit, que gerou o racionamento, foi que o crescimento do parque gerador brasileiro não acompanhou o crescimento do consumo da forma adequada. O racionamento produziu impacto no consumo de energia elétrica de forma singular, provocando redução no consumo brasileiro em torno de 24 %, influenciando até onde não houve racionamento e mantendo efeitos no consumo mesmo após o seu término. Foram calculadas as conseqüências do racionamento no consumo de energia elétrica por região, por setor, na demanda e em casos específicos. Os métodos de cálculos foram empregados considerando o crescimento no consumo em 2001, no período pré-crise de energia levando em consideração a sazonalidade dos períodos. As influências do racionamento não ficaram restritas ao consumo de energia elétrica, tendo efeitos no setor elétrico, na indústria, no comércio, na economia, na política nacional e na vida das pessoas em geral.

Talvez o planejamento feito nessa área nunca esteve em plena estabilidade e suprindo as necessidades como deveria, pois problemas causados tanto por falta de estrutura como por falha humana, ou mesmo técnica se repetiram por pelo menos duas vezes após o incidente ocorrido há nove anos.

Nessa imagem de 2009, é possível ver como os cenários mudam de uma foto para a outra, evidenciando a proporção do incidente. Apenas as luzes dos carros iluminam o caminho.

Programas sociais e de aceleramento do crescimento promoveram a disseminação do acesso à luz elétrica ao trabalhador que não tem condições financeiras de adquirir por força própria a sua lâmpada, ou então a corrente elétrica que alimenta tantos produtos eletrônicos e eletrodomésticos. O problema é que desde 1985, segundo uma média calculada, o Brasil sofre blecautes a cada seis anos, o que não ocorreu desta vez, que teve um intervalo de dois. A grande estratégia do governo Lula, em 2009 quando o apagão se consumiu, era de justificar as falhas, e admitir que esta fora de menos gravidade do que a que ocorreu no governo FHC.

O blackout, termo em inglês que siginifica um colapso temporário do suprimento de energia elétrica em uma determinada área geográfica, que pode variar desde uma localidade ou bairro, até uma grande área metropolitana ou regiões inteiras de um ou mais países, que ocorreu em 2009 teve início no principal ramal de transmissão elétrica do país, que leva toda a eletricidade de Itaipu, a hidrelétrica que mais produz energia no mundo, até São Paulo. De lá, boa parte da energia é redirecionada para o resto do país. Por esse ramal, operado por Furnas, trafegam 20% de toda a energia brasileira. O trabalho de transmissão é feito por cinco linhas. Três delas, as principais, vão de Foz do Iguaçu até a subestação de Tijuco Preto, perto de São Paulo. Elas passam por duas subestações, localizadas nas cidades de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP). As duas linhas restantes, de menor capacidade, levam energia de Itaipu até a subestação de Ibiúna, também próxima à capital paulista.

As duas imagens comparativas mostram como a Avenida Paulista ficou em 2009 com o apagão que ocorreu.

Já o problema que ocorreu na noite de quinta feira, 03 de fevereiro de 2010, não se deve ao fato de sobrecarga de energia, segundo Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, cargo ocupado pela atual presidenta da República, Dilma Rousseff, durante o governo de seu antecessor Lula, da qual também enfrentou um blecaute, mesmo prometendo publicamente que este jamais aconteceria no mandato do petista.

Lobão disse que não existe sistema elétrico mais moderno e eficiente que o brasileiro, sendo bom, porém apresentando falhas. De acordo com o ministro, houve uma falha em um componente eletrônico – a cartela – que faz parte do sistema de proteção da subestação. Como consequência, a subestação foi desligada, atingindo os sistemas das usinas de Xingó, Paulo Afonso e Luiz Gonzaga. Esse autodesligamento aconteceu como forma do sistema se proteger automaticamente contra danos de maior proporção.

Desta vez, a pane atingiu os estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Sergipe, Piauí e Rio Grande do Norte. O fornecimento de energia foi retomado durante a madrugada, mas em Alagoas, isso ocorreu perto das 4h desta sexta-feira.

O ministro disse que conversou com a presidenta Dilma a respeito do apagão no Nordeste, ressaltando o interesse dela nas questões que dizem respeito ao problema, evidenciando um pequeno conhecimento técnico por parte da presidente por experiência própria, pedindo que todas as medidas necessárias sejam tomadas.

A grande preocupação deste governo, apesar de não ser declarado publicamente, sem dúvida, é a Copa do Mundo de 2014. O sistema elétrico, por mais que seja um dos mais modernos do mundo, e não á prova de falhas, corre o risco de apresentar problemas durante os jogos do campeonato, o que é negado novamente pelo ministro Lobão, rejeitando a possibilidade de que o apagão ocorrido no Nordeste se repita durante o evento, que será realizada em Salvador, Recife e Natal, estados da região Nordeste. “Há uma comissão criada para trabalhar permanentemente até a conclusão da Copa do Mundo”, disse o ministro. “Não temos essa preocupação de que possa haver um acidente. É uma precaução. Estamos prevenidos”.

Veja algumas imagens que retratam o caos que alguns estados da região Nordeste presenciou neste apagão do dia 04 de fevereiro de 2011.

Bahia: Pane deixa Salvador e outras cidades sem energia, na madrugada desta sexta-feira. Na imagem, o Elevador Lacerda.
Rio Grande do Norte: Ruas ficaram às escuras, e apenas as luzes dos carros eram vistas pela cidade, em Natal.
Pernambuco: Rua da Fundição, em Recife, no escuro, durante apagão na madrugada desta sexta.

Por: Raphael Ezonne

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