Tarifa exorbitante de ônibus em SP é a maior do país

Cherryouth seleciona em quais itens da cesta básica o dinheiro das passagens poderia ser usado

O problema do transporte público na cidade de São Paulo é algo que diariamente é abordado nos telejornais do país todo. Considerada agora a tarifa mais cara do Brasil, para o paulistano se locomover para qualquer canto do munícipio usando o ônibus, ele pagará no mínimo três reais, que foi o reajuste acima da inflação que a Prefeitura de São Paulo definiu na primeira semana do ano. O aumento equivale cerca de 11,11% – quase o dobro da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve fechar o ano em 5,9%. O aumento anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab  representará um acréscimo de R$ 13,20 ao final de cada mês no bolso de quem usa o coletivo duas vezes ao dia para ir e voltar do trabalho. Kassab pretende reduzir o subsídio pago pela Prefeitura às empresas de ônibus – de R$ 660 milhões neste ano para R$ 600 milhões no ano que vem. O dinheiro economizado, segundo o prefeito, poderá ser utilizado em saúde, educação e sistemas de drenagem, como limpeza e canalização de córregos. No entanto, foram reservados R$ 743 milhões do Orçamento de 2011 para subsidiar as empresas de ônibus.

Considerada a tarifa mais cara do país, o paulistano não se contenta com a qualidade do transporte que lhe é oferecido. O fato do veículo se locomover com os passageiros em pé e a espera por um ônibus são as principais reclamações dos usuários.

Mas apesar dos motivos alegados pelos órgãos administradores do dinheiro público na cidade, a população ficou revoltada com o aumento de trinta centavos na tarifa do transporte, organizando na Internet manifestações a favor do antigo valor, e da melhoria do serviço, que ainda se queixa pela demora dos veículos e da pouca quantidade deles circulando pela cidade.

A questão que também implica na revolta dos paulistanos que usam do transporte para suprir de suas necessidades de locomoção é o período entre um aumento e outro. Mesmo com os benefícios que o transporte urbano da cidade oferece ao seu usuário, o que envolve o pagamento de uma tarifa única em um período de três horas e o desconto desta quando é antecedido ou sucedido o pagamento de uma tarifa de metrô ou CPTM, a análise do aumento para R$ 2,40 que aconteceu em 2006, o de R$ 2,70 que ocorrera no final do ano de 2009 e da última no ínicio de 2011, é vista com maus olhos.

Acompanhe o esquema abaixo que ilustra os aumentos que ocorreram em pelo menos seis anos. A qualidade do transporte se estabilizou, mas a SPTrans junto com a Prefeitura disponibilizou novos veículos sistematizados, e terminais em bairros estratégicos com fluxo maior de passageiros.

Os investimentos prometidos com as diferenças entre o preço anterior e o atual sempre levam o usuário ao ridículo, pois as promessas de um sistema de saúde de qualidade, de transporte eficiente e de um sistema de ensino eficaz estão caindo no conceito do paulistano, que vê a cidade engatinhando a passos lentos, sendo o exemplo em diversos outros aspectos, e ainda a maior cidade da América Latina.

Sendo considerada a tarifa mais cara do país, realizou cerca de 58 milhões de viagens no último ano, levando em conta que transporta cerca de seis milhões de passageiros diariamente. Entre as mais altas do país estão Florianópolis, Campo Grande, Belo Horizonte e Cuiabá. A partir de janeiro de 2011, Salvador vai cobrar R 2,50 pela passagem que, atualmente, custa R$ 2,30. Nas cidades de Porto Alegre e Belo Horizonte, os ônibus cobram R$ 2,45.

A cidade do Rio de Janeiro cobra R$ 2,40 pela tarifa única, mas, desde outubro deste ano, adota o Bilhete Único, que dá direito a viagens integradas. A prefeitura do Rio afirmou não haver previsão de reajuste da tarifa única, mas o Departamento de Transportes do Estado do Rio de Janeiro já autorizou o aumento da passagem dos ônibus intermunicipais em 5,63%, elevando a tarifa de R$ 2,35 para R$ 2,50.

Os Estados do Nordeste lideram entre os preços mais baixos. Em São Luís, a tarifa única custa R$ 1,30, a mais barata do país. Para a viagem integrada, o passageiro paga R$ 2,10. Em Fortaleza, a tarifa única custa R$ 1,80.

Já as capitais do Norte apresentam grandes variações de preço. Em Porto Velho, a tarifa custa R$ 2,30, em Manaus, R$ 2,25, enquanto em Macapá chega a R$ 1,90 e, em Belém, a R$ 1,85.

Com o aumento das tarifas em praticamente todo o país, e com a alta nos alimentos e o ligeiro crescimento do salário mínimo, o Cherryouth fez uma comparação de alguns produtos encontrados na cesta básica que poderiam ser comprados com a tarifa nova aplicada na cidade de São Paulo. O cálculo feito é baseado no preço de duas tarifas, de R$ 3,00 cada, equivalente ao preço de uma passagem de ida e outra de volta.

Especialistas na área de transporte dizem que o problema não se solucionará na cidade de São Paulo, colocando mais veículos nas ruas, mas fazendo com que as vias que estes circulam estejam mais vazias e com um fluxo maior do que é aplicado hoje, no município. Como muitos dos ônibus saem dos bairros pequenos e com ruas e avenidas não tão largas, junto com os veículos que também circulam nas mesmas faixas, acabam ocasionando congestionamentos e gerando grande estresse por parte da população. O ideal seria aprimorar os veículos que já rodam na cidade.

Será que um dia conseguiremos o transporte dos nossos sonhos?

Por: Raphael Ezonne

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