Por que as críticas são características do brasileiro?

Jovens brasileiros criam personagem rude e irônico para criticar modinhas atuais

Quando estamos em época de Copa do Mundo, o treinador está escolhido e todos esperam para descobrir quais jogadores foram convocados. Ou então, quando um Presidente que não era favorito por alguns eleitores assume o cargo mais importante do país e toma atitudes que não são bem vistas por parte da população. Ou mesmo quando uma simples pessoa procura um tema para debater e muitos dos que são fanáticos por isso, se revoltam e viram chacota. Ultimamente, a crítica social nunca foi tão mal vista pelo povo como agora.

Presidente Lula foi muito criticado desde sua eleição, mas fecha o governo como uma das pessoas mais influentes do planeta

O fato da pessoa se expressar sobre qualquer assunto, mostra que ela tem um pensamento lógico e que também, não vivemos na censura que há alguns anos atrás proibia a todos de citar ou mesmo de fazer um simples comentário, principalmente sobre o regime militar que neste país se mantinha.

“A voz do povo é a voz de Deus”. Uma frase que foi se usando conforme o tempo foi passando, e com isso, trouxe o poder de autonomia por grande parte da população para ter o direito de dizer o que quiser. Na última terça-feira (20), o programa “Casseta & Planeta Urgente” da Rede Globo fez uma sátira onde uma personagem italiana conversava com La Madonna (que no caso, na realidade, é como os italianos chamam Nossa Senhora). Mas como é um programa de humor, a imagem da santa fora substituida pela cantora Madonna, de mesmo nome. A personagem italiana dizia que iria para o Brasil, mas que não sabia falar português corretamente. Madonna, por sua vez, disse que isso não seria problema, porque nem o presidente do Brasil sabe falar português. Uma crítica como essa, jamais poderia ser usada na época do regime militar. Programas como estes, que alertavam a população de forma mais suave e cômica sempre foram vistas antecipadamente por pessoas de cargo superior da época antes de ir para o ar.

A sátira do “Casseta e Planeta” com a personagem italiana conversando com La Madonna, que neste caso seria a cantora Madonna.

Prova disso, era o programa “Os Trapalhões” com Renato Aragão, que sempre fora vítima, ou então, sempre atacava de forma engraçada, as pessoas que faziam parte do regime na época, durante o processo de “colorização” dos televisores em preto e branco.

“Os Trapalhões”, com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias fazia críticas diretas na época do governo de Ernesto Geisel. Numa delas, Didi e sua trupe dizia que o país só ia para frente, se referindo ao progresso, mas enquanto ele cantava, ele andava para trás, mostrando sua ironia a respeito

Passado essa época nebulosa, chegamos na década de 2000. O pensamento do passado mediante alguns assuntos podem ter sim evoluído de certa forma, mas o comportamento quando se lida com questões polêmicas nunca mudou, ou então se tornou mais minucioso conforme o tempo, após estudos mais profundos sobre tal. Ou não.

Ultimamente temos conhecido pessoas que não fazem lá suas críticas construtivas, e aproveitam da mídia em geral para conseguir fama absoluta. Além de sucessos musicais que nem precisam ser criticados por ser óbvia a sua ridicularização, outras obras que são baseadas em livros ou em música mesmo são alvo de “críticas sarcásticas”.

Há alguns anos, senão me engano no programa da Luciana Gimenez, um cara que se dizia entendedor de música, fazia críticas fortíssimas sobre cantores e bandas da época, e no final quebrava os CD’s como símbolo de seu ódio sobre aquele tipo de música, gesto que foi repetido ano passado por João Gordo, o VJ que trabalhava na MTV.

João Gordo na época na MTV, e agora no mal sucedido “Legendários”, da Rede Record.

Mas, como o assunto atualmente é Felipe Neto, por que não falar dele? Um carioca, vlogueiro de seus vinte e poucos anos que faz críticas não-construtivas sobre as “modinhas”, assim como ele mesmo define. Que fique bem claro que eu, não sou a favor das modinhas que vemos atualmente. As adolescentes, em sua maioria, que são grande reféns de um mundo capitalista que compram tudo que a indústria e o comércio oferecem: essas são as grandes ofendidas pelo vlogueiro. De forma irônica e um tanto exagerada, Felipe Neto divulga seus vídeos em seu próprio canal do Youtube com os comentários e o pensamento pessoal sobre aquilo, o que tem deixado muitas pessoas irritadas sobre.

Combinemos que para poder criticar de forma legal algum assunto, porque sim, existem críticas construtivas que usamos para melhorar algo, ou a famosa crítica brasileira, baseada no “achismo” ou então na “não-familiarização” de algo. O brasileiro precisa de mais! Criar mais, inventar mais, falar menos. Se cada um de nós ocupássemos nosso tempo ao invés de reclamar ou criticar algo que o outro gosta, apenas estamos dando ibope pelo que o outro fez, porque as críticas são apenas comentários, quando não construtivos, infelizes sobre tudo que nos rodeia.

O vlogueiro Felipe Neto: odiado por muitos que são fãs das celebridades que ele critica

Os dois vídeos a seguir mostram Felipe Neto com “Fiukar”. Uma crítica ao cantor Fiuk, filho do também cantor Fábio Jr. Fiuk e Felipe Neto tiveram uma leve discussão por Twitter, onde muitos acompanharam. No vídeo seguinte, uma fã de treze anos rebate as críticas do vlogueiro, com linguajar pesado. Acompanhe.

Acostumar com o diferente, com o que o outro gosta, além de respeito, é uma atitude proativa e sem dúvida, madura por parte de qualquer um. Criticar não pode? Claro que pode, ou melhor, deve. Mas apenas quando tem lógica e sentido. O que “não faz sentido”, não necessita de comentários.

Por: Raphael Ezonne
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2 comentários sobre “Por que as críticas são características do brasileiro?

  1. Felipe Neto é tosco, exagerado e nada engraçado. Atrai a atenção e credibilidade (isso que é pior: a credibilidade)de um antro de preconceituosos,arrogantes e homofóbicos. A diversidade é válida em todos os sentidos: na música, nas atitudes e no próprio modo de levar a vida, e o respeito deve ser válido também! Muita modinha atual, realmente, é um pé no saco, mas eu, como mero cidadão humilde, procuro o respeito, acima de tudo. Creio que, para um cara de 22 anos, ficar postando vídeos desta natureza, Felipe Neto ainda é um adolescente marrento. E só.

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  2. A crítica no Brasil funciona como todo o resto, é beseada em gostos pessoais, ninguém respeita o próximo, este vlogueiro é apenas um exemplo famoso disto. Mas as pessoas no geral são assim, criticam sem ter fundamentos, ou conhecimento profundo sobre o assunto em voga.

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